A BOLA – Toy já jogou no Benfica, hoje é Uber e conduz adeptos à Luz (Futebol)

Quem não se lembra de Toy, aquele miúdo franzino de Cabo Verde que em 1999, com 23 anos, chegou ao Benfica depois de ter dado nas vistas ao serviço do Sintrense? É verdade que pode queixar-se de não ter tido a sorte ao lado dele, mas, no entanto, das poucas oportunidades que dispôs mostrou velocidade, técnica e ser fortíssimo nos lances de um para um, pormenores que confirmou depois nos clubes por onde passou, principalmente no Felgueiras e Olhanense. 

Toy não esquece os anos que passou na Luz (em temporadas conturbadas do emblema encarnado). Retirado do futebol, pegou num carro e fez-se à estrada para ganhar a vida.

Contabilizando quase quatro centenas de jogos na carreira – cinco pela equipa principal do Benfica e 19 pela equipa B (com 10 golos) – coroados com 67 golos, Toy, ou Vítor Manuel Andrade Gomes da Costa, jamais esquecerá a passagem pela Luz. «Quando um jogador tem a possibilidade de representar o maior clube do mundo nunca se esquece, pois não é qualquer um que tem esse privilégio, daí carregar essa vaidade para sempre dentro de mim», diz, com uma lágrima ao canto do olho, visto que não dispôs das oportunidades desejadas.

«Nesse aspeto não tive sorte, uma vez que tive o azar de pertencer aos quadros do Benfica nos piores anos da sua rica e bonita história [esteve ligado aos encarnados de 1999 a 2001]. Se fosse hoje, com as condições atuais, não tenho dúvidas de que escrevia o meu nome em letras douradas na história do glorioso», constata quem «acompanha» o clube e vai aos jogos «sempre que possível».

Motorista em Lisboa
Aos 42 anos, depois de cinco anos afastado do futebol, Toy trocou o relvado pela estrada, sendo agora motorista na Uber, desempenhando a profissão na zona de Lisboa. «Vergonha é roubar», solta o antigo avançado que adora o que faz.

«É interessante, uma vez que tenho a possibilidade de falar com muita gente, sendo que os homens, alguns, reconhecem-me, o que me alegra imenso e deixa-me orgulhoso», congratula-se Toy, o motorista que quando vai ao Estádio da Luz deixar algum cliente sente um friozinho na barriga: «Sinto algo inexplicável. Apesar de ter vontade em correr para o relvado, tenho que me mentalizar que a minha hora já passou e levantar a cabeça, continuar a conduzir para ganhar dinheiro que faz muita falta lá em casa, pois tenho mulher e quatro filhos.»

Com a pandemia do novo coronavírus, Toy estacionou o carro: «Não está a ser fácil estar em casa sem ganhar dinheiro, mas o importante é a saúde, sem esquecer que estar sem trabalho não ajuda à saúde, nomeadamente à mental.»

As loucuras de Van Hooijdonk
Entre muitos craques com quem partilhou o balneário, Toy destaca Robert Enke, João Pinto, Nuno Gomes, Karel Poborsky, Roger e Pierre Van Hooijdonk, avançado que se apresentava «sempre bem disposto, um autêntico louco [risos]». «O prato forte do nosso balneário eram as palhaçadas, fruto da união que existia», recorda com o desejo de um dia voltar a reunir os antigos colegas para uma «grande jantarada».

Leia a reportagem completa na edição impressa do jornal A BOLA desta sexta-feira

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